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segunda-feira, 28 de maio de 2012

HISTÓRIA DA FILOSOFIA ANTIGA E SUA IMPORTÂNCIA>


OBSERVAÇÃO: Os textos postados nesta página foram resultado de pesquisas dos meus alunos de Filosofia.Como são ricos em conhecimentos, postei mesmo sem algumas fontes. Peço desculpas aos leitores e a colaboração, caso o material seja identificado, ficarei grata que de alguma forma sejam  informadas as fontes e os autores.


HISTÓRIA DA FILOSOFIA ANTIGA

A filosofia antiga se estende do século VI aC até o século VI dC, aproximadamente. Pode ser dividida em quatro períodos: Cosmológico, antropológico, sistemático e helenístico (Cabral, 2006).
O surgimento da Filosofia corresponde a um momento complexo da cultura grega que costuma designar-se por "milagre grego". Esta expressão traduz um fenómeno original que teve o seu apogeu na Grécia no século V a. c. e que se traduz num extraordinário florescimento das artes, da literatura, da ciência, da filosofia, das formas de organização política e económica.

1. PERÍODO COSMOLÓGICO
Estende-se do século VI aC ao final do século V aC. É marcado pela preocupação dos filósofos da época em descobrir a substância essencial de todos os seres. Esta descoberta deveria dar-se pela racionalidade, e não pelos mitos, que eram a forma comum de explicação para os fenômenos da natureza antes deste período (Chaui, 2002). Os filósofos do período cosmológico tentavam responder, utilizando a razão, aos problemas da origem, da ordem e transformação da natureza e do homem, como animal que é.
Os filósofos pré-socráticos (do período cosmológico) defendiam que o mundo não surgiu do nada, e que a natureza é eterna, já que, mesmo que as coisas se transformem, elas nunca desaparecem.
Surgiram diversas escolas, mas os pré-socráticos, de maneira geral, buscavam o arché, o elemento constitutivo de todas as coisas (Nunes, 1986).

1.1 ESCOLA JÔNICA
Primeira escola filosófica, desenvolveu-se durante o século VI aC. Seus integrantes acreditavam que encontrariam o arché em um único elemento.
Para Tales de Mileto (625-558 aC), considerado o primeiro filósofo da história, o arché era a água. Anaximandro de Mileto (610-547 aC) acreditava que havia um princípio anterior às coisas, imperceptível pelos cinco sentidos, mas capaz de permitir a compreensão dos elementos observados na natureza, e chamou tal princípio de Ápeiron. Anaxímenes de Mileto (588-528 aC), o primeiro homem a afirmar que a Lua era iluminada pelo Sol, acreditava que a Terra era plana e flutuava sobre o ar, por isso, para ele, o Aché era o ar. Heráclito de Éfeso (540-476 aC) entendia o mundo como sendo dinâmico e em constante transformação; o elemento fundamental é o fogo (Cabral, 2006; Chaui, 2002; Nunes, 1986).

1.2 ESCOLA PITAGÓRICA
Fundada por Pitágoras de Samos, esta escola reúne elementos religiosos e morais às suas conclusões filosóficas, além de utilizar astrologia egípcia. Talvez o pitagorismo tenha sido não só uma escola filosófica, mas também uma seita religiosa. A escola defende que o número é o arché.
Pitágoras de Samos (570-490 aC), fundador da escola, defendia uma doutrina de acentuadas ligações com questões políticas, considerada secreta. Embora secreta, sabe-se que defendiam a imortalidade da alma (metempsicose), que a história era cíclica, e que todos os seres vivos estavam ligados por parentesco. Pitágoras não deixou obra escrita. Pode-se citar três pontos de seus pensamentos: o número era o arché; defendiam a teoria dos opostos ? forma dualista-; existiam verdades de ordem matemática (Nunes, 1986; Cabral, 2006; Rezende, 2003).

1.3 ESCOLA ELEATA
A escola eleata desenvolveu-se na cidade de Eleia e seus seguidores são denominados eleatas. Oriundos das classes média e alta, construíram uma filosofia que justificava as estruturas sociais ? políticas ? daquele momento. Com suas respostas, iniciaram o idealismo filosófico.
Zenão de Eléia (490-430 aC) afirmou que a ocorrência do movimento é impossível, e não passa de ilusão; o espaço é formado por partículas de infinito, é seria impossível se deslocar no infinito. Xenófanes de Colofão (570-475 aC) dizia que as coisas eram contingentes e a alma é um sopro; defendeu a teoria de um Deus único e contrariou os adeptos das explicações mitológicas; acreditava que a terra era o arché. Parmênides de Eleia (530-460 aC), primeiro homem a sustentar a esfericidade da Terra, além da teoria de que ela se posiciona no centro do mundo; acreditava que haviam dois elementos primordiais: fogo e terra.

1.4 ESCOLA ATOMISTA
Os filósofos desta escola tentaram sintetizar Heráclito e Parmênides, e acreditavam que o elemento básico do universo era uma partícula, que eles denominaram átomo.
Demócrito de Abdera (460-370 aC) acreditava que no universo existem apenas o átomo e o vácuo; o vácuo torna o movimento possível. Anaxágoras de Clazômenas (500-428 aC) foi o primeiro filósofo a morar em Atenas; tentou sintetizar Heráclito e Pitágoras e concluiu que o Nóus era a inteligência organizadora de tudo no universo (Cabral, 2006).

2. PERÍODO ANTROPOLÓGICO OU CLÁSSICO
Neste período os filósofos criaram uma nova temática para suas especulações: o homem. O conhecimento filosófico muda seu espaço geográfico (da Jônia para Atenas ? o centro cultural da Grécia), e daí surge a necessidade de estudar o homem e sua vida política, pois, na polis, a convivência humana precisava ser fundamentada. Participam deste período os sofistas, Sócrates e Platão (Cabral, 2006).

2.1 SOFISTAS
Os precursores desta escola foram Protágoras de Abdera e Górgias de Leontini. Enquanto os demais pensadores do período se apresentavam como perseguidores do saber, da verdade, os sofistas se anunciavam possuidores do saber. Eles eram professores e remunerados pela profissão, e como entendiam de retórica e oratória, não poderiam anunciar que não possuíam o que vendiam. Assim, preparavam os jovens gregos para que se projetassem na sociedade, sobretudo na política.
Os jovens buscavam meios de serem bem sucedidos, e os sofistas ofereciam as ferramentas necessárias para a concretização deste objetivo, desde que se pudesse por elas pagar (Nunes, 1986).
Protágoras de Abdera (485-410 aC) tinha uma concepção antropológica, foi indiferente à religião. Górgias de Leontini (487-380 aC) foi adepto do ceticismo absoluto, e considerado o criador da retórica (Cabral, 2006).

2.2 SÓCRATES (469-399 aC)
Filho de um escultor e uma parteira, era pobre e não escreveu nenhum livro (os pobres não eram alfabetizados, apenas a aristocracia podia pagar por essa atividade). Buscava respostas claras e válidas universalmente, mas acreditava que essas respostas não poderiam ser buscadas empiricamente ? como diziam os sofistas. Teriam de ser encontradas na razão. Assim, as bases da verdade e da conduta virtuosa devem ser buscadas em nossa consciência. O homem precisaria, primeiro, conhecer-se a si mesmo (Cabral, 2006).
Desenvolveu um método de busca da verdade dividido em dois momentos: ironia e maiêutica. Pela ironia reconhecia-se a própria ignorância, e pela maiêutica poderia conceber ideias próprias. Este método era aplicado por meio de diálogos nas praças de Atenas, de onde questionou a política e a moral de lá (Nunes, 1986).
Como punição por ter vexado os poderosos nesses diálogos realizados nas praças de Atenas, foi condenado à morte pela ingestão de cicuta (Bergman, 2004).

2.3 PLATÃO
Filho de pais ricos atenienses, foi aluno notável de Sócrates e sofreu uma grande desilusão quando seu preceptor foi condenado à ingestão de cicuta (Nunes, 1986). Sua pesquisa filosófica, embora voltada para uma realidade prática e moral, não se limitou ao campo antropológico, como Sócrates, mas também estendeu-se ao campo metafísico e cosmológico (Cabral, 2006).
Aos quarenta anos de idade fundou a Academia, onde concebeu a Teoria das Ideias. De acordo com Platão, a substância ?real? do universo são o que ele denominou de formas (ideias), e não a manifestação particular e física diante de nossos sentidos. Essas ideias existiriam em um mundo superior, à parte da percepção humana (Mundo das Ideias, ou Ideal). Aquilo que percebemos por meio dos cinco sentidos seria apenas a cópia imperfeita dessas Ideias (Bergman, 2004).
Para demonstrar a aquisição de conhecimentos, escreveu a alegoria da caverna, em seu livro ?A República?. Pregou o ensino da virtude e a prática da contemplação. As principais questões apresentadas por Platão na sua filosofia são: a preocupação com a política e os rumos do Estado, a ética, a estética , desconfia dos sentidos e recusa a passagem da sensação ao conceito, não se interessa pelo estudo da natureza, antecipa-se ao método de Descartes (1596- 1650) e acredita num mundo transcendente, onde estão as idéias inatas (nascidas conosco) nas quais se concentra toda a realidade, a razão aniquila e destrói as paixões. Sair da caverna é alcançar o mundo das ideias (Silva, 2011).


3. PERÍODO SISTEMÁTICO
Estendeu-se do final do século IV aC ao século III aC, com a pretensão de reunir e sistematizar o conhecimento adquirido nos períodos anteriores (Chaui, 2003). O grande destaque deste período foi Aristóteles.
Aristóteles (384-322 aC) nasceu catorze anos após a morte de Sócrates, na cidade de Estagira, uma colônia grega na costa da Trácia (Bergman, 2004). Seu pai, Nicômaco, era médico da corte do rei da Macedônia. Aos dezessete anos foi enviado para estudar em Atenas, com o seu preceptor Platão.
Aristóteles, mesmo sendo discípulo de Platão, não vai concordar com o seu pensamento apresentando um outro olhar sobre a filosofia que se caracteriza pela: vocação naturalista, observação do mundo físico/ concreto, onde os conceitos são tirados da experiência mediante a evidência, se interessa pelo estudo da natureza, o verdadeiro conhecimento vem da experiência, a razão governa e domina as paixões. "Nada está na mente que não tenha passado pelos sentidos" (Silva, 2011).
Propôs a primeira classificação dos tipos de conhecimento; definiu que matéria e forma eram reais (contrariando seu professor Platão, para quem a matéria era apenas cópia irreal da forma ? Ideia). Elaborou a teoria das quatro causas, buscando compreender a essência de cada coisa; ainda, buscando descobrir a verdade, elaborou a estrutura do silogismo lógico.
Sua lógica científica e seus estudos de biologia (potencializados pelas conquistas de seu pupilo, Alexandre, o Grande), são fundamentais para o desenvolvimento de ambas as disciplinas, que ocorreu mais tarde (Bergman, 2004). Foi o fundador do Liceu, em Atenas, onde ensinava suas teorias de filosofia a estudantes (Figueira, 2005).

4. PERÍODO HELENÍSTICO
Este período estende-se do final do século III aC até o século VI dC. Com as conquistas de Alexandre, O Grande, da Macedônia, a cultura no mundo antigo sofreu muitas transformações (Figueira, 2005). Mais tarde, a conquista da Grécia pelos romanos intensificou a derrocada política dos gregos e a decadência de suas preocupações políticas.
O helenismo, para a filosofia, representa uma continuidade das escolas platônica e aristotélica, e buscou explicar a natureza e o homem, e suas relações com as divindades (Cabral, 2006).
As conquistas dos estrangeiros causaram a decadência do patriotismo, colocando como principal questão a vida privada, o problema da felicidade e a salvação pessoal. Assim, a filosofia adotou uma postura de moral prática, buscando orientar os homens em sua conduta. São cinco as principais escolas deste período: estoicismo, epicurismo, ceticismo, ecletismo e cinismo (Cabral, 2006).

4.1 ESTOICISMO
O nome estoicismo deriva de ?stoá?, que significa pórtico, aludindo aos que ficavam às portas da cidade pregando a doutrina. Descrentes da polis e da influência dos deuses, os estóicos eram individualistas e voltavam-se à sua subjetividade. Pela prática das virtudes tentaram alcançar a sabedoria. Vivendo as virtudes numa prática racional, acreditavam que conseguiriam a ?ataraxia?, que seria a ausência de sensações e perturbações. Os filósofos estóicos não temiam os deuses nem a morte, pois tinha uma crença atomista (Nunes, 1986).
O principal filósofo desta escola foi Zenão de Cítio (336-263 aC), que viveu segundo o estoicismo, buscando a ?ataraxia? e defendendo que as virtudes seriam o fim supremo de todas as coisas.

4.2 EPICURISMO
Escola fundada a partir das ideias de Epicuro (342-271 aC), era moral e individualista, como o estoicismo, mas afirmava que o fim único da existência é o prazer. Não o prazer cristão, equivalente a pecado e devassidão, mas o conceito de perfeito ajuste às leis da natureza (Nunes, 1986). Por esse motivo, a filosofia epicurista é denominada como a arte de bem viver.
Diferente dos estóicos, os epicuristas admitiam que prazeres espirituais poderiam ser positivos, tais como a arte, o pensamento e a amizade. A finalidade última da ética elaborada pelos epicuristas é a serenidade, a apatia.

4.3 CETICISMO
Tinham uma postura de sempre tomar como duvidoso o que é afirmado pelo homem. Chegavam a duvidar da capacidade de conhecimento (Nunes, 1986). Assim, ?ninguém sabe nada, ninguém nunca soube de nada, nem nunca saberá? parece uma sentença adequada aos adeptos desta escola.
O maior representante desta escola foi Pirrón de Elis (360-270 aC), que afirmou que nossos juízos sobre a realidade são convencionais e baseiam-se em sensações. Observou que os sentidos são enganadores, então o conhecimento não pode ser sempre exato e verdadeiro. De acordo com o pirronismo, o homem deve contentar-se com as aparências das coisas, e saber que não possui a verdade absoluta (Cabral, 2006).

4.4 ECLETISMO
A escola do ecletismo, parecido com o ceticismo, associa o critério de verdade com o de verossimilhança (Cabral, 2006). Ou seja, os filósofos desta escola apresentaram-se acríticos, pois o ecletismo aceita várias possibilidades de uma verdade.
Provavelmente seu surgimento ocorreu devido à coexistência de várias escolas filosóficas no mesmo período e espaço geográfico. Acredita-se que o contato com a cultura romana (voltada para a prática e a ação) também tenham influenciado e favorecido o surgimento do ecletismo. O filósofo eclético que se destacou neste período foi Cícero (106-43 aC).

4.5 CINISMO
Escola fundada por Antístines (444-365 aC), discípulo de Sócrates, o nome cinismo deriva de ?kynos?, palavra grega que significa cão. Foi uma escola extremista nos preceitos socráticos de que o homem deveria se autoconhecer e abandonar os bens materiais. Os filósofos desta corrente viviam como cães, soltos pela cidade, sem conforto nem bens. Acreditavam que a felicidade não dependia de fatores externos (luxo, poder), nem de coisas efêmeras (sofrimento e morte), e, uma vez alcançada a felicidade, esta não poderia mais ser perdida.
Os membros desta escola pautam-se por uma completa crítica social, aos deuses, aos costumes, ao poder, à justiça e à própria filosofia (Nunes, 1986).
O filósofo mais notável desta escola foi Diógenes Laercio (400-325 aC), que vivia num barril, com apenas uma túnica, um cajado e um embornal de pão. Conta-se que, certa vez, estava sentado ao sol, quando recebeu a visita de Alexandre, o Grande, que lhe propôs atender imediatamente qualquer desejo que tivesse, e Diógenes respondeu: Desejo que saia da frente do meu sol (Cabral, 2006).
Em outra história, conta-se que Diógenes caminhava pelas ruas de Atenas com uma vela acesa nas mãos, durante o dia, procurando ?um homem?. Esta atitude demonstrava a decadência do ideal grego de Homem (Nunes, 1986).

5. CONSIDERAÇÕES
A filosofia surgiu como uma evolução do conhecimento mitológico. Não quebrou o conhecimento mitológico, mas veio numa tentativa de melhorar a capacidade humana de conhecer, então dependeu, e ainda depende, de outros tipos de conhecimento.
O período da história da filosofia denominado filosofia antiga estendeu-se do século VI aC até o século VII dC, e contemplou várias escolas, e várias teorias. Passou pelo apogeu do desenvolvimento grego, da transferência do centro grego para Atenas, e a decadência do governo grego, propiciado pela invasão dos macedônios, e do cristianismo.
O trio de filósofos notáveis, denominado de tripé da filosofia grega, viveu neste período da história, e influenciou a filosofia por todos os séculos posteriores à filosofia antiga, e ainda influenciam hoje. São eles: Sócrates, Platão e Aristóteles.

6. REFERÊNCIAS:
BERGMAN, G. Filosofia de banheiro: sabedoria dos maiores pensadores mundiais para o dia-a-dia. Trad. Caroline Kazue Ramos Furukawa. São Paulo: Madras, 2004.
CABRAL, CA. Filosofia. São Paulo: Editora Pillares, 2006.
CHAUI, M. Convite à filosofia. 12 ed. São Paulo: Editora Ática, 2002.
FIGUEIRA, DG. História: volume único. São Paulo: Ática, 2005.
NUNES, CA. Aprendendo Filosofia. Campinas, SP: Papirus, 1986.
REZENDE, A. Curso de filosofia: para professores e alunos dos cursos de segundo grau e graduação. 13. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005.
SILVA, IM. Mito e Filosofia. Platão e Aristóteles. Disponmível em: http://boletimodiad.blogspot.com/2011/02/mito-e-filosofia-platao-e-aristoteles.html> . Publicado em: 24/02/2011.


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Importância da Filosofia Antiga

A filosofia antiga oferece, de fato, recursos para melhor se refletir sobre as magnas questões que afligem a sociedade atual, proporcionando meios para solucionar inúmeras dificuldades que a ciência e tecnologia não resolvem.
O que se esquece muitas vezes é o aspecto interdisciplinar da filosofia  cujas noções basilares farolizam todas as outras ciências.
Os filósofos da antiguidade clássica tiveram intuições  transcendentais sobre a realidade as quais atravessam o tempo, dado que seus conceitos convêm à essência de todos os seres e, assim,  permanecem vivas não obstante todo o avanço da ciência moderna.
Aí está o motivo pelo qual, embora sob o ponto de vista da constituição física, biológica, química dos seres criados eles tenham cometido erros, no que tange à qüididade mesma, à essência de uma coisa, à qualidade essencial, ao conjunto das condições que determinam um ser particular no que lhe é ontologicamente constitutivo, deixaram noções sem as quais a própria ciência não chegaria aonde tem conseguido conquistar.
Pela pujança intelectual incontroversa desses gênios que surgiram na Grécia e em Roma  não se pode negar que não há, nas províncias da investigação teórica, doutrina moderna  que não tenha sua raiz  nas idéias fulgurantes de algum destes pensadores.
Aliás seja dito que muitos malefícios causados à humanidade neste início de milênio, e mesmo anteriormente, pelo mau emprego das conquistas científicas têm seu antídoto em princípios éticos formulados pelos sábios filósofos da antigüidade, os quais, segundo Justino, participavam do logos divino1.  Ao número destes filósofos pertencem Sócrates, Platão e os estóicos, pelos quais Justino tem sincera admiração; mas nem por isso excluem de sua companhia os poetas, os legisladores e os historiadores. Descobre excelentes normas de moralidade nos poetas e nos pensadores anteriores à sua época. Eles não  possuíram integralmente o Logos, mas dele compartilhavam tanto imediata como mediante: imediatamente pela iluminação do Logos, e mediatamente pela revelação.
Diante de tanta calamidade, não obstante a empáfia com que a ciência moderna se apresenta, o retorno ao pensamento antigo proporcionaria soluções para os males atuais.
Adite-se que o ser pensante necessita de referenciais consistentes para poder desenvolver suas conquistas e muitos erros posteriores foram causados exatamente por se ignorarem os princípios filosóficos intemporais levantados pelos gregos e romanos.
Após fatigosas reflexões, quantos estão a repetir ao auscultar o pensamente antigo: “Não há nada de novo sob o sol”!2.
Há algo de permanente no universo e quando os pré-socráticos, assumindo pela vez primeira uma atitude exclusivamente filosófica, passaram a indagar qual seria a óssea, o elemento primordial, o mito foi vencido e uma monumental construção filosófica na plena acepção do termo se iniciou. É de se notar, inclusive,  que a física de certos pré-socráticos anunciaram, embora de maneira rudimentar a física moderna. O caminho foi longo até chegarem os pensadores a Aristóteles com sua teoria do hilemorfismo, uma conquista ímpar da inteligência humana, tendo um grande impacto na antropologia filosófica posterior.
Grande é, por exemplo,  a atualidade da “Carta de Epicuro a Meneceu” para se pensar a relação da humanidade com a natureza e para se colocar um freio aos desejos frívolos, artificiais, como a busca desenfreada de riquezas ao impulso da sociedade de consumo.
No turbulento mundo de hoje e suas vicissitudes, ante o niilismo da cultura moderna, a obra “Arte de viver” de Epicteto, o livro “ Da vida feliz”, de Sêneca,  lidos sob a ótica cristã são atualíssimos, mostrando o uso da razão para se atingir a felicidade. Cumpre, realmente, não se desviar seduzido pelas  falsas aliciações do mundo, mas é preciso que cada um seja senhor de si mesmo. É necessário suportar as dificuldades existenciais com parhesia, coragem, decisão, determinação e força de caráter.

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