MEUS SEGUIDORES

segunda-feira, 21 de maio de 2012

AGRASSIVIDADE NO ÂMBITO ESCOLAR E AS PROBLEMÁTICAS.


A VIOLÊNCIA ESCOLAR

A violência escolar é um tema que tem sido motivo de muita reflexão no interior das escolas.Não sabemos o que fazer com esse problema.
Acredito que muitos são os fatores causadores da violência na escola:
A violência é hoje uma das principais preocupações da sociedade. Ela atinge a vida e a integridade física das pessoas . É um produto de modelos de desenvolvimento que tem suas raízes na história .Esse ambiente tão construtivo e fascinante que é a escola acabou se tornando, com o passar dos anos, um local de violência, extrema violência. Nas portas das escolas de todo o país podemos encontrar pontos de tráfico, brigas entre os alunos, pessoas agressivas e pessoas com medo: esse é o cenário, por exemplo, da escola que participa da rede pública de ensino e também, é claro, da rede particular. Como se não bastasse o cenário que pode ser visualizado por trás da escola, há também, por outro lado, a violência interna: o Bullying é um exemplo disso.

A definição de violência  se faz necessária para uma maior compreensão da violência escolar. É uma transgressão da ordem e das regras da vida em sociedade. É o atentado direto, físico contra a pessoa cuja vida, saúde e integridade física ou liberdade individual correm perigo a partir da ação de outros.  Neste sentido  Aida    Monteiro  se expressa " entendemos a violência, enquanto ausência e desrespeito aos direitos do outro"[1].  No estudo realizado pela autora em uma escola, buscou-se perceber a concepção de violência dada pelo corpo docente e discente da instituição.

Para o  corpo discente " violência representa agressão física, simbolizada pelo estupro, brigas em família e também a falta de respeito entre as pessoas ". Enquanto que para o corpo docente " a violência, enquanto descumprimento das leis e da falta de condições materiais da população, associando a violência à miséria, à exclusão social e ao desrespeito ao cidadão" .

É importante refletirmos a diferença entre agressividade, crime e violência.

A  agressividade é o comportamento adaptativo intenso, ou seja , o indivíduo  que é vítima de violência constante têm dificuldade de se relacionar com o próximo e de estabelecer limites  porque estes às vezes não foram construídos no âmbito familiar.  O sujeito agressivo tem atitudes agressivas para se defender e não é tido como violento.  Ele possui "os padrões de educação contrários às normas de convivência e respeito para com o outro ." ABRAMOVAY ; RUA ( 2002)   A construção da paz vem se apresentando em diversas áreas e mostra que o impulso agressivo é tão inerente à natureza humana quanto o impulso amoroso; portanto é necessária a canalização daquele para fins construtivos, ou seja, a indignação é aceita porém deve ser utilizada de uma maneira produtiva.

O crime é uma tipificação social e portanto definido socialmente é uma rotulação atribuída a alguém que fez o que reprovamos. " Não reprovamos o ato porque é criminoso. É criminoso porque o reprovamos"(Émile Durkheim).

Violência pode ser também “uma reação conseqüente a um sentimento de ameaça ou de falência da capacidade psíquica em suportar o conjunto de pressões internas e externas a que está submetida” LEVISKY (1995) apud  DIAS;ZENAIDE(2003)
 A violência nas escolas é algo que vem acontecendo em todo o mundo e num rítmo tão crescente quanto assustador, uma situação que poderia ser minimizada caso as autoridades se empenhassem em adotar medidas nesse sentido.

 A violência protagonizada pelos jovens nas escolas é uma realidade inegável. A sociedade terá que se organizar e insurgir-se ativamente contra este fenómeno. De igual modo, a escola terá que ajustar os seus conteúdos programáticos e acercar-se mais os educandos. Devido às exigências, as famílias muitas vezes destituem-se da sua função educativa, delegando-a à escola. No meio de toda esta confusão, estão os alunos, que, atuam conforme aquilo que observam e agem consoante os estímulos do meio.  A causa da violência nas escolas vem muitas vezes de agressões na própria casa do adolescente ou criança. Ele não encontra outra maneira de colocar a raiva pra fora, a não ser brigando com os colegas e até mesmo com os professores..."
Boa parte dos alunos problemáticos não esperam nada da escola, estão lá apenas porque não têm outras alternativas e são forçados a isso", reflete Manuel Matos. "A família obriga e o Estado não apresenta alternativa em termos de programas de trabalho.
A familia deve participar da educação dos filhos, junto a escola e não jogando total responsabilidade para a escola.a família pode começar a luta contra a violência escolar "orientando seus filhos a não fazerem brincadeiras sem graça”.
Quanto às causas da violência escolar, a psicóloga e jornalista Henar L.Senovilla, afirma que:
podem residir nos modelos educativos a que são expostas as crianças, na ausência de valores, de limites, de regras de convivência; em receber punição ou castigo através de violência ou intimidação e a aprender a resolver os problemas e as dificuldades com a violência. Quando uma criança está exposta constantemente a essas situações, acaba registrando automaticamente tudo em sua memória, passando a exteriorizá-las quando encontra oportunidade. Para a criança que pratica o bullying, a violencia é apenas um instrumento de intimidação. Para ele, sua atuação é correta e portanto, não se auto-condena, o que não quer dizer que não sofra por isso.
As consequências são que esses jovens um dia se tornarão adultos, e que comportamento esses adultos terão???  
 É mais fácil construir um menino do que consertar um homem.

(Charles Chick Govin)
Será que é mais fácil?
A violência nas escolas cresce a cada dia que passa com novos contornos sempre mais cruéis. Enfim a violência nos ronda por toda parte de nossa sociedade e nas escolas também cada vez mais ela está se agravando, mas é necessário que os seus administradores saibam lidar com ela para que assim as conseqüências não sejam ainda maiores, portanto é preciso que se tenha por parte dos dois lados, ou seja, professores e alunos muita comunicação para que assim as duas partes saiam satisfeitas tanto os professores com o seu ensinar quanto os alunos com os aprendizados adquiridos e claros tudo com muito respeito e muita responsabilidade.
Chega de violência, chega de maldade. Vamos nos enxergar como ser humano e construir uma vida digna e de paz. Vamos respeitar os nossos professores e uns aos outros enquanto seres humanos que somos.
  Vamos amar uns aos outros como se não houvesse amanhã, que tal?


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


ABRAMOVAY, Miriam; RUA, Maria das Graças - Violência nas escolas. Ed.Unesco, doações institucionais.


ABRAMOVAY, Miriam ; et alli - Guangues , galeras, chegados e rappers. RJ, Ed. Garamond , 1999.


Escola x Violência

por Raymundo de Lima
Observação, o texto foi postado na íntegra, por se tratar de um tema que merece reflexão.
 
Professores e alunos do curso de Pedagogia, da Universidade Estadual de Maringá (UEM) de Maringá e de Cianorte (Paraná) escolheram, em 2006, debater sobre a violência “na” e “da” escola.
Os especialista convidados foram os professores Roberto da Silva e Flavia Schilling (Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), e Ana Maria Mercês (PUC –SP), fizeram conferências esclarecedoras sobre o  assunto, provocando reflexões e debates para além do momento de suas exposições.
Como um dos organizadores, depois do sucesso dos dois eventos, o autor desse artigo continuou realizando leituras sobre o assunto, e até elaborou um projeto de extensão que trata da crise das relações no interior da escola sob o olhar do cinema.  Acrescentou-me especialmente ler o cap. 7, do livro “Relação com o Saber: formação dos professores e globalização” (Ed. Artes Médicas, 2005), do sociólogo Bernard Charlot, que indica mais alguns pontos para completar a análise dos professores convidados:
1)  Além da violência “na” e “da” escola, existe a violência “à” escola. Recapitulando. A violência na escola é aquela que se produz dentro do espaço escolar, sem estar ligada à natureza e às atividades da instituição escolar: por ex.: quando um bando entra na escola para acertar contas de disputas do narcotráfico. A violência da escola é a violência institucional, simbólica, reproduzida através de seus agentes (professores, serventes), dos modos de atribuição de notas, de distribuição das classes, dos castigos, dos atos de exclusão, etc.
Segundo Charlot (op.cit.), existe ainda a violência à escola, que está ligada aos atos contra a escola; são casos em que alunos provocam incêndios, ameaçam, insultam ou agridem os professores ou funcionários da escola. Parece-me que essa dimensão da violência escapou de ser debatida no nosso evento.
Por que se preocupar com tais distinções? Porque, essas distinções orientam os professores e pesquisadores para pensarem a relação efeito e causas da violência, e também leva-os pensar preventivamente sobre o que fazer com cada situação. “Devemos perguntar por que a escola, hoje, não está mais ao abrigo de violências que outrora eram detidas em suas portas”, e o que “legalmente” pode a escola fazer face a essas situações, alerta Charlot.   
2)  Ainda, o autor acha pertinente estabelecer uma distinção entre violência, indisciplina, e incivilidade. Os especialistas brasileiros já vinham alertando a necessidade de distinguir indisciplina da violência (cf.: referências). A essas duas categorias, os pesquisadores franceses acrescentam a “incivilidade”. Redefinindo. O termo violência[1], pensam os franceses, deve ser reservado ao que ataca a lei com uso da força ou que ameaça usá-la: lesões, extorsão, tráfico de drogas na escola, insultos graves”, bullying. A indisciplina pode ser considerada um ato “normal” de transgressão. Considera-se “normal” o adolescente expressar conduta contrária ao regulamento interno do estabelecimento, que não é ilegal do ponto de vista da lei. A incivilidade é aonde a educação ainda não se efetivou no aprendiz; não é indisciplina e nem violência, mas efeito da ignorância. Os sociólogos franceses entendem que a incivilidade não contradiz com a lei, nem com o regimento interno do estabelecimento, mas sim, com as regras da boa convivência: a falta de respeito, uso do palavrão, a não realização dos trabalhos escolares, absenteísmo, não cumprimentar, não pedir desculpas, brincadeiras de mal gosto, empurrões, ausência de bons modos em público, ataque cotidiano ao direito de cada um (professor, funcionários, alunos) ser respeitado, etc.
Da distinção para a prática
A professora escolar precisa levar em consideração a “normalidade” de algumas transgressões dos alunos, sobretudo, considerando o aumento número de pais negligentes e sem vocação para verdadeiramente educar os filhos. A escola contemporânea convive com o dilema: educar e/ou ensinar?  Deve “ensinar as crianças como o mundo é” ou “instruí-las na arte de viver”? (ARENDT, 1972).
Os adolescentes estão sempre testando os limites (seus e dos outros); eles recusam seguir as regras que o sistema escolar e a sociedade impõem. Muitos deles foram apenas criados, mal criados, e não educados. Sua rebeldia, no fundo, é contra o sistema de imposições e de exclusão.  Convenhamos, existem regras injustas nas escolas, e professores mal educados.
Cabe ao professor/ professora obviamente “bem educado” distinguir um ato de indisciplina da incivilidade, e da violência, para dar encaminhamentos diferenciados. Atos que configuram violência (ex: tráfico de drogas, depredação, caso de lesão corporal, etc.) escapam do domínio da direção da escola, porque são de domínio da polícia e da justiça. Inversamente, um xingamento dirigido para a professora deve ser examinado pela equipe pedagógica e não justifica que se chame a polícia ou se abra um processo na justiça. Quanto à incivilidade, ela depende fundamentalmente de uma intervenção educativa, dentro e fora da escola.
Nos dias atuais parece estar crescendo a incivilidade entre os alunos. Arrisco-me apontar algumas causas: o convívio tribal avesso à civilidade, códigos que reforçam grosserias e insensibilidade em relação ao próximo, atos de barbárie incentivados pelo grupo, etc.
A falta de civilidade da nova geração pode ser indício de que os pais falharam na educação, mas eles não devem ser os únicos responsáveis. É possível que os pais hoje não sejam tão importantes para educar os filhos, como sinaliza o estudo de Judith Harris (1998). A influência dos grupos de pares, a televisão, os games, a interação com alguns sites da internet, juntos, promovem a incivilidade como se fosse um bem. Ser um bad boy ou uma bad girl representa um mais-gozar. Sozinha, a escola não tem o poder de reverter o processo de barbarização dos jovens. Até porque o professor pouco consegue estabelecer um vínculo transferencial positivo com os alunos interessados. Alunos incivilizados e não reconhecidos nessa condição podem reagir inconscientemente com indisciplina e até violência. Portanto, é urgente preparar os professores para saber interpretar e lidar com a nova geração resistente a ser civilizada. Não se trata de inculcar em ambos os valores da classe dominante, mas sim, transmitir os valores universais da civilização: convivência, respeito, tolerância, simpatia...
Concluindo...
O professor Roberto da Silva, na sua conferência, argumentou sobre a necessidade de se fazer registros das ocorrências cotidianas, sobretudo daquelas que envolvem alunos e professores, alunos e patrimônio escolar (carteira, parede, quadro, aparelhos, etc.), visto que tal documento se constitui a memória do estabelecimento escolar.  Ou seja, o histórico das ocorrências pode pesar nos argumentos e na tomada de decisões acertadas em situações que envolvam as distinções que registramos nesse escrito.

Referências
ARENDT, H. A crise na educação. In: Entre o passado e o futuro. SP: Perspectiva, 1972.
CHAUI, M. Convite à filosofia. 7. ed. São Paulo: Ática, 2000.
HARRIS, J. H. Diga-me com quem anda... Rio: Objetiva, 1998. Tb. “Os pais tem importância?”- documentário exibido pelo GNT, 1999.
CHARLOT, B. Relação com o Saber: formação dos professores e globalização. P. Alegre: Artes Médicas, 2005.
COM MEDO DOS ALUNOS. Reportagem de Ruth Costas. http://www.adur-rj.org.br/5com/pop-up/medo_alunos.htm Fonte: Veja, edição, nº  1904, 11/05/2005. http://www.google.com.br/search?q=%22com+medo+dos+alunos%22+&hl=pt-BR&start=10&sa=N
ISME. Pesquisa coordenada pelo ISME detalha problemas de convívio nas escolas de São Paulo. Rev. Idéia, ano 5, n. 6, 2007.
OLIVEIRA, Érika C. S.; MARTINS, Sueli T.F. Violência, sociedade e escola: da recusa do diálogo à falência da palavra. Psicologia & Sociedade, São Paulo, v. 19, n. 1, p. 90-98, jan/abr. 2007.
SCHILLING, F. A sociedade da insegurança e a violência na escola. São Paulo: Moderna. 2004. 
SPOSITO, M. A instituição escolar e a violência. Cad. de Pesquisa da Fundação Carlos Chagas. São Paulo, n. 1, jul 1981,
SPOSITO, M. Breve balanço da pesquisa sobre violência no Brasil. Educação e Pesquisa. São Paulo, v. 27, n.1, p. 87-103, jan./jun, 2001.
TAVARES DOS SANTOS, J. V. A violência na escola: conflitualidade social e ações civilizatórias. Educação e Pesquisa, v. 27, n.1, p.105-122, jan./jun, 2001.
ZALUAR, A. Um debate disperso: violência e crime no Brasil da redemocratização. Rev. São Paulo em Perspectiva. São Paulo, v. 3, n. 13, p.03-17, 2000.


http://www.espacoacademico.com.br - © Copyleft 2001-2008
É livre a reprodução para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída

2 comentários:

  1. Infelizmente nas escolas são vivenciados casos de violêcia entre alunos. A escola é onde se agromera uma diversedade cultual enorme e isto facilita esses acontecimento. O que as escolas não podem fazer é fingir que não acontece, mas sim combater esses problemas. Afinal e escola é o lugar de aprendizagens e de preparar pessos para se tornarem felizes, éticos e conscientes de suas responsabilidades. Então tem que educar logo sedo, não sosinha com a failia!!Carlos Antõnio, profº.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Quando postei eese texto foi realmente para penssarmos no problema que cresce cada vez mais nas escolas. Devemos nos unir, escola e família para melhorar esse quadro. Obrigada por comentar, volte sempre.

      Excluir

Muitas vezes, a correria de nossas vidas nos impede de dar atenção ao que realmente vale a pena. E agradecer é uma das coisas que acabam ficando esquecidas na correria do dia-a-dia.
Pode ser por um simples favor ou por uma grande atitude, mas o agradecimento nunca deve ser esquecido. Obrigado Por Sua Atenção e Pelo Carinho e por ter vindo até aqui e deixando seu comentário importantíssimo para o engrandecimento das postagens. SEJA SEMPRE BEM VINDO(A) Profª Lourdes Duarte